Assédio moral é crime. Denuncie!

   


O que é assédio moral?

Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título “Uma jornada de humilhações”.

A primeira matéria sobre a pesquisa brasileira saiu na Folha de São Paulo, no dia 25 de novembro de 2000, na coluna de Mônica Bérgamo. Desde então o tema tem tido presença constante nos jornais, revistas, rádio e televisão, em todo país. O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.

Em agosto do mesmo ano, foi publicado no Brasil o livro de Marie France Hirigoyen “Harcèlement Moral: la violence perverse au quotidien”. O livro foi traduzido pela Editora Bertrand Brasil, com o título Assédio moral: a violência perversa no cotidiano.

Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país. Vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacamos: São Paulo, Natal, Guarulhos, Iracemápolis, Bauru, Jaboticabal, Cascavel, Sidrolândia, Reserva do Iguaçu, Guararema, Campinas, entre outros. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro, que, desde maio de 2002, condena esta prática. Existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.

O que é humilhação?

Conceito: É um sentimento de ser ofendido/a, menosprezado/a, rebaixado/a, inferiorizado/a, submetido/a, vexado/a, constrangido/a e ultrajado/a pelo outro/a. É sentir-se um ninguém, sem valor, inútil. Magoado/a, revoltado/a, perturbado/a, mortificado/a, traído/a, envergonhado/a, indignado/a e com raiva. A humilhação causa dor, tristeza e sofrimento.

E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.

Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o ’pacto da tolerância e do silêncio’ no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ’perdendo’ sua auto-estima.

Em resumo: um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este, pressupõe:

- repetição sistemática
– intencionalidade (forçar o outro a abrir mão do emprego)
– direcionalidade (uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório)
– temporalidade (durante a jornada, por dias e meses)
– degradação deliberada das condições de trabalho

Entretanto, quer seja um ato ou a repetição deste ato, devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.

O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do ’novo’ trabalhador: ’autônomo, flexível’, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar ’apto’ significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.

A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental*, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.

A violência moral no trabalho constitui um fenômeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos paises desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ’mal estar na globalização”, onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.

Fases da humilhação no trabalho

A humilhação no trabalho envolve os fenômenos vertical e horizontal.

O fenômeno vertical se caracteriza por relações autoritárias, desumanas e aéticas, onde predomina os desmandos, a manipulação do medo, a competitividade, os programas de qualidade total associado a produtividade. Com a reestruturação e reorganização do trabalho, novas características foram incorporadas à função: qualificação, polifuncionalidade, visão sistêmica do processo produtivo, rotação das tarefas, autonomia e ’flexibilização’. Exige-se dos trabalhadores/as maior escolaridade, competência, eficiência, espírito competitivo, criatividade, qualificação, responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego (empregabilidade) visando produzir mais a baixo custo.

A ’flexibilização’ inclui a agilidade das empresas diante do mercado, agora globalizado, sem perder os conteúdos tradicionais e as regras das relações industriais. Se para os empresários competir significa ’dobrar-se elegantemente’ ante as flutuações do mercado, com os trabalhadores não acontece o mesmo, pois são obrigados a adaptar-se e aceitar as constantes mudanças e novas exigências das políticas competitivas dos empregadores no mercado global.

A “flexibilização”, que na prática significa desregulamentação para os trabalhadores/as, envolve a precarização, eliminação de postos de trabalho e de direitos duramente conquistados, assimetria no contrato de trabalho, revisão permanente dos salários em função da conjuntura, imposição de baixos salários, jornadas prolongadas, trabalhar mais com menos pessoas, terceirização dos riscos, eclosão de novas doenças, mortes, desemprego massivo, informalidade, bicos e sub-empregos, dessindicalização, aumento da pobreza urbana e viver com incertezas. A ordem hegemônica do neoliberalismo abarca reestruturação produtiva, privatização acelerada, estado mínimo, políticas fiscais etc. que sustentam o abuso de poder e manipulação do medo, revelando a degradação deliberada das condições de trabalho.

O fenômeno horizontal está relacionado à pressão para produzir com qualidade e baixo custo. O medo de perder o emprego e não voltar ao mercado formal favorece a submissão e fortalecimento da tirania. O enraizamento e disseminação do medo no ambiente de trabalho, reforça atos individualistas, tolerância aos desmandos e práticas autoritárias no interior das empresas que sustentam a ’cultura do contentamento geral’. Enquanto os adoecidos ocultam a doença e trabalham com dores e sofrimentos, os sadios que não apresentam dificuldades produtivas, mas que ’carregam’ a incerteza de vir a tê-las, mimetizam o discurso das chefias e passam a discriminar os ’improdutivos’, humilhando-os.

A competição sistemática entre os trabalhadores incentivada pela empresa, provoca comportamentos agressivos e de indiferença ao sofrimento do outro. A exploração de mulheres e homens no trabalho explicita a excessiva freqüência de violência vivida no mundo do trabalho. A globalização da economia provoca, ela mesma, na sociedade uma deriva feita de exclusão, de desigualdades e de injustiças, que sustenta, por sua vez, um clima repleto de agressividades, não somente no mundo do trabalho, mas socialmente. Este fenômeno se caracteriza por algumas variáveis:

Internalização, reprodução, reatualização e disseminação das práticas agressivas nas relações entre os pares, gerando indiferença ao sofrimento do outro e naturalização dos desmandos dos chefes.

- Dificuldade para enfrentar as agressões da organização do trabalho e interagir em equipe.
– Rompimento dos laços afetivos entre os pares, relações afetivas frias e endurecidas, aumento do individualismo e instauração do ’pacto do silêncio’ no coletivo.
– Comprometimento da saúde, da identidade e dignidade, podendo culminar em morte.
– Sentimento de inutilidade e coisificação. Descontentamento e falta de prazer no trabalho.
– Aumento do absenteísmo, diminuição da produtividade.
– Demissão forçada e desemprego.

A organização e condições de trabalho, assim como as relações entre os trabalhadores condicionam em grande parte a qualidade da vida. O que acontece dentro das empresas é, fundamental para a democracia e os direitos humanos. Portanto, lutar contra o assédio moral no trabalho é estar contribuindo com o exercício concreto e pessoal de todas as liberdades fundamentais. É sempre positivo que associações, sindicatos, coletivos e pessoas sensibilizadas individualmente intervenham para ajudar as vítimas e para alertar sobre os danos a saúde deste tipo de assédio.

Estratégias do agressor

- Escolher a vítima e isolar do grupo.
– Impedir de se expressar e não explicar o porquê.
– Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos pares.
– Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
– Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
– Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool.
– Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.
– Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade.

A explicitação do assédio moral:

Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar, risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do/a outro/a, estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho, colocá-los/as em situações vexatórias, falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele/a que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo do/a subordinado/a, não explicar a causa da perseguição, difamar, ridicularizar.

As manifestações do assédio segundo o sexo:

Com as mulheres: os controles são diversificados e visam intimidar, submeter, proibir a fala, interditar a fisiologia, controlando tempo e freqüência de permanência nos banheiros. Relaciona atestados médicos e faltas a suspensão de cestas básicas ou promoções.

Com os homens: atingem a virilidade, preferencialmente.
Frases discriminatórias freqüentemente utilizadas pelo agressor

- Você é mesmo difícil… Não consegue aprender as coisas mais simples! Até uma criança faz isso… e só você não consegue!
– É melhor você desistir! É muito difícil e isso é pra quem tem garra!! Não é para gente como você!
– Não quer trabalhar… fique em casa! Lugar de doente é em casa! Quer ficar folgando… descansando…. de férias pra dormir até mais tarde….
– A empresa não é lugar para doente. Aqui você só atrapalha!
– Se você não quer trabalhar… por que não dá o lugar pra outro?
– Teu filho vai colocar comida em sua casa? Não pode sair! Escolha: ou trabalho ou toma conta do filho!
– Lugar de doente é no hospital… Aqui é pra trabalhar.
– Ou você trabalha ou você vai a médico. É pegar ou largar… não preciso de funcionário indeciso como você!
– Pessoas como você… Está cheio aí fora!
– Você é mole… frouxo… Se você não tem capacidade para trabalhar… Então porque não fica em casa? Vá pra casa lavar roupa!
– Não posso ficar com você! A empresa precisa de quem dá produção! E você só atrapalha!
– Reconheço que foi acidente… mas você tem de continuar trabalhando! Você não pode ir a médico! O que interessa é a produção!
– É melhor você pedir demissão… Você está doente… está indo muito a médicos!
– Para que você foi a médico? Que frescura é essa? Tá com frescura? Se quiser ir pra casa de dia… tem de trabalhar à noite!
– Se não pode pegar peso… dizem piadinhas “Ah… tá muito bom para você! Trabalhar até às duas e ir para casa. – Eu também quero essa doença!”
– Não existe lugar aqui pra quem não quer trabalhar!
– Se você ficar pedindo saída eu vou ter de transferir você de empresa… de posto de trabalho… de horário…
– Seu trabalho é ótimo, maravilhoso… mas a empresa neste momento não precisa de você!
– Como você pode ter um currículo tão extenso e não consegue fazer essa coisa tão simples?
– Você me enganou com seu currículo… Não sabe fazer metade do que colocou no papel.
– Vou ter de arranjar alguém que tenha uma memória boa, pra trabalhar comigo, porque você… Esquece tudo!
– A empresa não precisa de incompetente igual a você!
– Ela faz confusão com tudo… É muito encrenqueira! É histérica! É mal casada! Não dormiu bem… é falta de ferro!
– Vamos ver que brigou com o marido!

Danos da humilhação à saúde

A humilhação constitui um risco invisível, porém concreto nas relações de trabalho e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, revelando uma das formas mais poderosa de violência sutil nas relações organizacionais, sendo mais freqüente com as mulheres e adoecidos. Sua reposição se realiza ’invisivelmente’ nas práticas perversas e arrogantes das relações autoritárias na empresa e sociedade. A humilhação repetitiva e prolongada tornou-se prática costumeira no interior das empresas, onde predomina o menosprezo e indiferença pelo sofrimento dos trabalhadores/as, que mesmo adoecidos/as, continuam trabalhando.

Freqüentemente os trabalhadores/as adoecidos são responsabilizados/as pela queda da produção, acidentes e doenças, desqualificação profissional, demissão e conseqüente desemprego. São atitudes como estas que reforçam o medo individual ao mesmo tempo em que aumenta a submissão coletiva construída e alicerçada no medo. Por medo, passam a produzir acima de suas forças, ocultando suas queixas e evitando, simultaneamente, serem humilhados/as e demitidos/as.

Os laços afetivos que permitem a resistência, a troca de informações e comunicações entre colegas, se tornam ’alvo preferencial’ de controle das chefias se ’alguém’ do grupo, transgride a norma instituída. A violência no intramuros se concretiza em intimidações, difamações, ironias e constrangimento do ’transgressor’ diante de todos, como forma de impor controle e manter a ordem.

Em muitas sociedades, ridicularizar ou ironizar crianças constitui uma forma eficaz de controle, pois ser alvo de ironias entre os amigos é devastador e simultaneamente depressivo. Neste sentido, as ironias mostram-se mais eficazes que o próprio castigo. O/A trabalhador/a humilhado/a ou constrangido/a passa a vivenciar depressão, angustia, distúrbios do sono, conflitos internos e sentimentos confusos que reafirmam o sentimento de fracasso e inutilidade.

As emoções são constitutivas de nosso ser, independente do sexo. Entretanto a manifestação dos sentimentos e emoções nas situações de humilhação e constrangimentos são diferenciadas segundo o sexo: enquanto as mulheres são mais humilhadas e expressam sua indignação com choro, tristeza, ressentimentos e mágoas, estranhando o ambiente ao qual identificava como seu, os homens sentem-se revoltados, indignados, desonrados, com raiva, traídos e têm vontade de vingar-se. Sentem-se envergonhados diante da mulher e dos filhos, sobressaindo o sentimento de inutilidade, fracasso e baixa auto-estima. Isolam-se da família, evitam contar o acontecido aos amigos, passando a vivenciar sentimentos de irritabilidade, vazio, revolta e fracasso.

Passam a conviver com depressão, palpitações, tremores, distúrbios do sono, hipertensão, distúrbios digestivos, dores generalizadas, alteração da libido e pensamentos ou tentativas de suicídios que configuram um cotidiano sofrido. É este sofrimento imposto nas relações de trabalho que revela o adoecer, pois o que adoece as pessoas é viver uma vida que não desejam, não escolheram e não suportam.

Consequências do Assédio Moral à Saúde

Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação (em porcentagem)

 

Sintomas Mulheres Homens
Crises de choro    100 ——
Dores generalizadas 80 80
Palpitações, tremores 80 40
Sentimento de inutilidade 72 40
Insônia ou sonolência excessiva 69,6 63,6
Depressão 60 70
Diminuição da libido    60 15
Sede de vingança 50 100
Aumento da pressão arterial    40 51,6
Dor de cabeça 40 33,2
Distúrbios digestivos    40 15
Tonturas 22,3 3,2
Idéia de suicídio 16,2 100
Falta de apetite    13,6 2,1
Falta de ar 10 30
Passa a beber 5 63
Tentativa de suicídio    - 18,3

É possível estabelecer o nexo causal?

Segundo Resolução 1488/98 do Conselho Federal de Medicina, “para o estabelecimento do nexo causal entre os transtornos de saúde e as atividades do trabalhador, além do exame clínico (físico e mental) e dos exames complementares, quando necessários, deve o médico considerar:

- A história clínica e ocupacional, decisiva em qualquer diagnóstico e/ou investigação de nexo causal;
– O estudo do local de trabalho;
– O estudo da organização do trabalho;
– Os dados epidemiológicos;
– A literatura atualizada;
– A ocorrência de quadro clínico ou subclínico em trabalhador exposto a condições agressivas;
– A identificação de riscos físicos, químicos, biológicos, mecânicos, estressantes, e outros;
– O depoimento e a experiência dos trabalhadores;
– Os conhecimentos e as práticas de outras disciplinas e de seus profissionais, sejam ou não da área de saúde.” (Artigo 2o da Resolução CFM 1488/98).

Acrescrentamos:

- Duração e repetitividade da exposição dos trabalhadores a situações de humilhação.
O que a vítima deve fazer?

- Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
– Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
– Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
– Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
– Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
– Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
– Recorrer ao seu órgão de classe (sindicato, associação, conselhos e outros) e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
– Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.

Importante:

- Se você é testemunha de cena (s) de humilhação no trabalho supere seu medo, seja solidário com seu colega. Você poderá ser “a próxima vítima” e nesta hora o apoio dos seus colegas também será precioso. Não esqueça que o medo reforça o poder do agressor!

Lembre-se:

O assédio moral no trabalho não é um fato isolado, como vimos ele se baseia na repetição ao longo do tempo de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando a degradação deliberada das condições de trabalho num contexto de desemprego, dessindicalização e aumento da pobreza urbana. A batalha para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a auto-estima, deve passar pela organização de forma coletiva através dos representantes dos trabalhadores do seu sindicato, das CIPAS, das organizações por local de trabalho (OLP), Comissões de Saúde e procura dos Centros de Referencia em Saúde dos Trabalhadores (CRST e CEREST), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.

O basta à humilhação depende também da informação, organização e mobilização dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida em que haja “vigilância constante” objetivando condições de trabalho dignas, baseadas no respeito ’ao outro como legítimo outro’, no incentivo a criatividade, na cooperação.

O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e que seja sinônimo de cidadania.

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(*) ver texto da OIT sobre o assunto no link: http://www.ilo.org/public/spanish/bureau/inf/pr/2000/37.htm
Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.
Retirado do site: http://www.assediomoral.org

18 comentários de Assédio moral é crime. Denuncie!

  1. CARLOS ALBERTO LIMA SOUZA disse:

    Tenho sido vítima de assédio por parte do diretor da escola onde trabalho que tem o apoio da gestora da USE,pelo fato de discordar de alguns pontos dessa administração.Esse diretor chegou a me pedir 15 dias para sair da escola.Já fiz manifestação na ouvidoria da SEDUC,mas sinto que nada será feito para assegurar meu direito de permanecer na escola.Como o sindicato poderá me apoiar juridicamente?Toda vez que eu manifesto alguma ação que o desagrada ele pergunta se já encontrei outra escola para trabalhar.

    • Não quero me identificar disse:

      Já passei da fase de querer sair da escola onde trabalho pra fase de querer morrer, de me sentir inútil nessa vida, de achar que o mundo sem mim seria muito melhor. O diretor me faz sentir a pior pessoa do mundo. Ele me amedronta, solta piadinhas e ainda procura me atingir usando pessoas da minha família. Não aguento mais.

  2. Renato Antonio de Andrade disse:

    Eu também fui vitima de assedio moral por 2 diretores de escola e uma subsecretária que forçaram tanto a barra até eu me sentir obrigado a fazer uma opção de carreira minha sorte é que eu tinha esta opção pois acumulava cargos no Estado, mas a tática deles foi muito eficiente me colocaram como um professor incompetente e mandaram eu procurar outra escola para beneficiar uma outra professora bem menos experiente do que eu, acabei desistindo da carreira por não me sentir motivado para continuar naquela situação

  3. rodrigo disse:

    trabalho numa empresa como auxiliar de produção,la faço montagem de peças para mercedes benz,meu patrao me chama na sala quando tem feriado ou dia que a linha nao vai rodar,e manda eu e meus colegas fazermos faxinas.o encarregado me da uma lata de tinee(produto quimico) e um pano e fala para eu esfregar aonde tiver marca de roda de empilhadeira durante todo o dia numa posicao desconfortante ou seja de 4 esfregando,e nao paga hora extra coloca no banco de horas q nem o sindicato sabe deste acorde de banco de horas .(quando entrei na empresa uma pessoa fazia uma estação de montagem agora ele me chamou e meu colega falou que agente tinha q dar conta de fazer 2 estação ou seriamos mandado embora)oq devo fazer?

    • Thulio disse:

      vc e seu colega devem ir a policia e fazer um boletim de ocorrencia e encaminhar o fato a diretoria ou ao RH da empresa. e em seguida fazer denuncia junto ao ministério público do trabalho

  4. Helena Mota disse:

    Eu sou Estagiária em Serviço Social, faço estágio em uma Prefeitura, a Diretora da Secretaria, era Diretora de um Presídio e nos trata como os presos com quem ela lidava, toma papéis de minhas mãos, coloca palavras em minha boca, diz o que eu não disse e me coloca em situações,as quais não consigo me defender pois ela deturpa tudo e não me deixa falar, coloca as pessoas contra mim, gostaria de saber se como estagiária, tenho algum direito e como devo agir, Ela abusa do poder que tem, pois tem um cargo de confiança e é mãe de um vereador, tendo feito acordos políticos com o prefeito se acha no direito de fazer o que quer, pois sabe que nada lhe ocorrerá…
    Tenho sofrido muito com isso, perdi o interesse pelo estágio, pediram pra eu continuar que iriam me remunerar, mas ela não deixa…não sei mais o que fazer, pois meu estágio Obrigatório tenho que concluir.
    Quando chego em casa, não tenho vontade de fazer mais nada. vários do itens listados acima ocorrem comigo.
    Alguém responde esse comentário? Obrigada desde já pela atenção.

  5. fernanda nascomento disse:

    Bom dia na minha jornada de trabalho cheguei as 8hs p/largar d17.20oque aconteceu p gerente me disse que sou obrigada a fazer hora extra. E não poderia largar e fui embora no outro dia ele me tracou numa sala onde tinha duas lideranças e queria que eu assinasse uma advertencia por não fazer hora extra e me disse que sou obrigada a fazer estou com vergonha todos ja sabem e riem de mim o que faco

    • Thulio disse:

      vc nao é obrigada a fazer hora extra pode ir a policia e denunciar seu chefe mas precisara de testemunhas…o que fica dificil

    • Thulio disse:

      FUI VITIMA DE SABOTAGEM DE MEU COORDENADOR E FUI MANDANDO EMBORA 20 DIAS DEPOIS DO OCORRIDO POIS ENCONTRAVA-SE EM CONTRATO DE EXPERIÊNCIA.
      A ULTIMA VEZ ELE GRITOU COMIGO LARGUEI O TRABALHO CHAMEI UM COMPANHEIRO E REGISTREI UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA CONTRA ELE,AGORA ESTOU INDO A JUSTIÇA PEDIR MINHA REINTEGRAÇÃO AO CARGO E REPARAÇÃO POR ASSÉDIO MORAL JUNTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO.

  6. Thulio disse:

    FUI VITIMA DE SABOTAGEM DE MEU COORDENADOR E FUI MANDANDO EMBORA 20 DIAS DEPOIS DO OCORRIDO POIS ENCONTRAVA-SE EM CONTRATO DE EXPERIÊNCIA.
    A ULTIMA VEZ ELE GRITOU COMIGO LARGUEI O TRABALHO CHAMEI UM COMPANHEIRO E REGISTREI UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA CONTRA ELE,AGORA ESTOU INDO A JUSTIÇA PEDIR MINHA REINTEGRAÇÃO AO CARGO E REPARAÇÃO POR ASSÉDIO MORAL JUNTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO.

  7. patrícia cassales disse:

    sou atendente e estou passando por isso também. Estava no turno da manhã e me obrigaram a passar pro turno da noite só pra poder promover uma menina que era bem mais nova que eu ali e agora estão fazendo no turno da noite também. Escuto todos os dias ameaças para me demitir e me dão ordens de tarefas para me sentir humilhada me excluir do grupo, minhas tarefas estão sendo realizadas por meninas com apenas um mês de casa, alegando que faz melhor do que eu, que tenho um ano. O nível hierárquico ali é dado por tempo de casa e escuto todos os dias meus dois chefes (o da manhã e o da noite) me humilhando em público, proibindo de realizar minhas tarefas e me ignorando, me tratando como se eu fosse um problema e não fizesse falta. Não sei o que fazer, pois moro sozinha e tenho uma filha de dois anos pra sustentar.

  8. Rebeca Gomes disse:

    Sou estagiária e sofro assedio moral por parte dos meus colegas de estágio, o que eu posso fazer?

  9. elizabete Maria disse:

    Boa noite,

    Trabalho em uma empresa terceirizada a 02 anos e 06 meses, mais a prestação de serviços para o estado já faço a 08 anos em um único setor, como existe licitação estou nesta empresa agora a 02 anos e seis meses, porém em uma semana fui DEMITIDA, pela funcionária que é minha chefe, do setor sem direito a defesa, ou seja, pelo zum zum da sala foram falar para a mesma que eu tinha falado dela, que não sei o q foi, simplesmente ele mandou um email pedindo a minha demissão e de outra companheira de trabalho sem me dá o motivo, tinhamos um correios no pc onde ela mandava mensagem de trabalho e outras coisas, onde uma delas informa á todos que se usarem o banheiro de forma inadequada haveria carta de ADVERTÊNCIA, achei uma humilhaçao, sou mulher e mais da metade da turma é mulher também e me senti ofendida e humilhada, mais não podia responder por consequência da mesma ser AUTORITÁRIA, PREPOTENTE DE DONA DA RAZÃO, então gostaria de saber se isto pode se considerar assédio moral, se a colega que também foi demitida junto comigo pode ser minha testemunha e se não ter resposta de quando fui demitida o motvo pelo qual. Antes da demissão existia uns comentário na sala que em janeiro de 2014 haveria demissão em massa, já existia até lista dos demitidos, e foi feito uma reunião onde nada disso iria acontecer, tinha chamado minha supervisora para comentar o assunto, porque estava sem dormir por causa disso e uma semana depois fui demitida, o que faço,

    Um abraços e fico no aguardo de uma resposta se posso colocar a empresa privada, o orgão público no qual prestei serviços e a pessoa como chefe?

  10. tatiana santos disse:

    fiquei afastada por 5 dias por motivo de doenças, so gerente falou para uma colega de serviço, que saiu pouco tempo que eu estou fazendo corpo mole para trabalha ,estou de ma fe com a empresa ,e ser eu quiser eu peço as conta ,isso assedio moral

  11. Lucia disse:

    Fui vitima de Assédio Moral, mandam-me cumprir tarefas nas quais colocava minha vida em risco, foi assim,até eu ficar muito mal de saúde e depois me demitiram mesmo sendo efetiva no cargo. Procurei a justiça e até hoje nada, passei muitas humilhações de todo jeito, cortaram meu pagamento e muito mais…
    Mas passa o tempo que passar espero que exista justiça,pois nada trará minha paz e saúde,mas farei algo que o mundo não esquecerá, principalmente as pessoas que me mataram viva………………….,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,…………………………………………………………………..

  12. Gaffo disse:

    estou sendo vitima de assedio moral, sou segurança ou melhor chefe em um empresa de grande porte, fui contratado para cuidar 5 funcionarios
    até ai td bem, o problema foi entrei em ambiente profissional insuportavel, ninguem aceitou eu como chefe, vi cara feita, gente falando mal de mim aqui acola, foram 3 meses assim, procuravam um motivo para me tirar de la, foi quando sexta feira dia 28/02/14 faltou um funcionário, procurei todos que pude para cobrir a falta, mas não consegui, entrei em contato com meu supervisor, o mesmo me chamou no radio me mandou se fuder
    que ninguem queria eu neste emprego, ai trouxe o funcionário para substituição
    ficou alegando que não deveria ter ido jantar, a CLT diz que eu tenho direito
    ã intervalo para refeição, enfim fui demitido e estou muito deprimido pela tamanha injustiça, sempre fui assiduo nunca faltei ou cheguei atasado.
    e me mandou embora juntamente com outro funcionario.

  13. MILTON BOHAC FILHO disse:

    minha esposa esta sendo humilhada por funcionario onde trabalha a oito anos , sendo uma funcionaria que se diz ser deficiente , mas falou para minha esposa que a qualquer hora vai pegar ela com uma faca , esta funcionaria é protegida pela empresa onde ele ja causou varios problemas com clientes com chigamentos e palavroes , como ela faz com a minha esposa , minha esposa já tem seus 51 anos de idade sabe que não consegue serviço facil e os gerentes e supervisores da menina não tomam qualquer providencia fazendo com que minha esposa tenha que ir ao medicoquase frequente pois esta muito doente com esta situação peço que me ajude pois a menina com seus 27 anos já se diz incapaz ,mas para ficar ameassando minha esposa falando palavroes e dizendo varias besteiras para provoca la , quero denuciar sim , pois eu tambem estarei fazendo um \b.\o contra ela e o \\supermercado Laranjão de sap jose do rio preto a avenidas mirassolandia ,solo sagrado , estou denunciando pois a menina de 28 anos já que sabe tudo da vida pode enfiar uma faca nas costas da minha esposa , e nós não podemos fazer nada ….. , quem poderia fazer pelo menos com advertencias não quer saber colocando mais uma vez minha esposa esposta a vergonha de ser chigada por varios nomes e a gente não poder relar a mão nesta pessoa , peço a ajuda que podemos fazer , no minimo danos morais , pois ela já esta tomando remedios fortes por caudsa deste problema . aguardo

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